Os artistas brasileiros Lygia Pape (1927-2004) e Hélio Oiticica (1937-1980) desenvolveram uma visão muito positiva sobre a produção da arquitetura popular nas décadas de 1960 e 1970. Amigos e colaboradores, eles compartilharam a “descoberta” da favela, o que teve repercussões em suas obras. Obras como “Bólides” (1963), “Parangoles” (1964) e “Tropicália” (1967), de Oiticica e “Ovo” (1968), “Divisor” (1968) e “Roda dos Pra-zeres” (1968), de Pape, dialogam de maneiras diferentes com a cultura da favela. Em sua tese de mestrado, “Catiti catiti, na terra dos brasis” (1980), Lygia Pape dedicou uma seção especificamente ao elogio da produção popular em termos muito próximos aos formulados por Hélio Oiticica, quando definiu as “bases fundamentais” do "Parangolé”. A análise que ambos realizaram baseia-se no repertório formal proveniente do Neoconcretismo, movimento do qual faziam parte, e destaca características como a permeabilidade e a mutabilidade dos espaços, o uso da cor e a participação do usuário, ressaltando os aspectos positivos dessa forma “não alienada” de construção e diferenciando-se das visões então predominantes sobre o popular. Por outro lado, ao longo de suas carreiras, ambos superaram essa idealização do “popular”, passando a se interessar por outros aspectos da vida urbana cotidiana, como a indústria cultural.
Lygia Pape e Hélio Oiticica, o “caráter parangolé” e os “quartos-tudo” – Artistas brasileiros numa nova abordagem da arquitetura popular
Rosa Machado, Vanessa
;
2020-01-01
Abstract
Os artistas brasileiros Lygia Pape (1927-2004) e Hélio Oiticica (1937-1980) desenvolveram uma visão muito positiva sobre a produção da arquitetura popular nas décadas de 1960 e 1970. Amigos e colaboradores, eles compartilharam a “descoberta” da favela, o que teve repercussões em suas obras. Obras como “Bólides” (1963), “Parangoles” (1964) e “Tropicália” (1967), de Oiticica e “Ovo” (1968), “Divisor” (1968) e “Roda dos Pra-zeres” (1968), de Pape, dialogam de maneiras diferentes com a cultura da favela. Em sua tese de mestrado, “Catiti catiti, na terra dos brasis” (1980), Lygia Pape dedicou uma seção especificamente ao elogio da produção popular em termos muito próximos aos formulados por Hélio Oiticica, quando definiu as “bases fundamentais” do "Parangolé”. A análise que ambos realizaram baseia-se no repertório formal proveniente do Neoconcretismo, movimento do qual faziam parte, e destaca características como a permeabilidade e a mutabilidade dos espaços, o uso da cor e a participação do usuário, ressaltando os aspectos positivos dessa forma “não alienada” de construção e diferenciando-se das visões então predominantes sobre o popular. Por outro lado, ao longo de suas carreiras, ambos superaram essa idealização do “popular”, passando a se interessar por outros aspectos da vida urbana cotidiana, como a indústria cultural.| File | Dimensione | Formato | |
|---|---|---|---|
|
Proarq33 art 3-45-61.pdf
accesso aperto
Tipologia:
Full Text
Licenza:
Dominio pubblico
Dimensione
2.88 MB
Formato
Adobe PDF
|
2.88 MB | Adobe PDF | Visualizza/Apri |
I documenti in IRIS sono protetti da copyright e tutti i diritti sono riservati, salvo diversa indicazione.


